Bate-papo com os escritores que participaram da VI Feira Literária de Viamão 16 | 06 | 2008
Posted by Velha Capital in notícias.add a comment
Bate-papo com os escritores que participaram da VI Feira Literária de Viamão
Walmor Santos – Alunos de várias escolas puderam participar de um bate-papo com o escritor, cronista e publicitário Rubem Penz, na manhã de quinta-feira, dia 12. O escritor falou um pouco sobre a sua trajetória de vida. Disse que iniciou sua jornada no mundo das letras na internet, fazendo um blog onde escrevia crônicas diariamente. Gostou tanto da experiência que escreveu o livro “O Y da Questão e Outras Crônicas”, sendo indicado para o prêmio Açorianos. Atualmente é colunista e escreve crônicas no jornal Diário de Viamão. Há cinco anos, quando veio residir no município, ficou mais atento aos fatos que acontecem na cidade, passando a comentá-los em seus textos. “O cronista fala sobre muitos assuntos, mas, sobretudo, da atualidade.
A palavra cronista vem de cronos, que significa tempo”, explica. Penz ainda lembra que para poder escrever é preciso ler muito, a fim de ter inspiração e argumentos.Walmor Santos – Histórias rápidas, contos e poesias são as principais características das obras do escritor Walmor Santos, que esteve conversando com alunos de várias escolas, na tarde da última quinta-feira, dia 12. Segundo ele, começou a escrever aos 20 anos no jornal Correio Rural. Desde então, o hábito de escrever tornou-se mais do que uma profissão, uma paixão. O mesmo tem boas recordações de Viamão. “Este município é um paradigma na minha vida, vivi toda a minha juventude aqui.
Casei e tive os meus filhos nesta terra. Tenho muitos laços afetivos e histórias marcantes”. Quanto à qualidade da leitura, Walmor é crítico: “Há grande incentivo para a leitura, mas falta qualidade. A leitura não é um evento, é um processo formador”. Walmor Santos tem 21 obras publicadas, sendo que “O paraíso é no céu da sua boca”, está em sua 12ª edição e já recebeu o prêmio José Guimarães e Paraná de Contos. O livro que mais marcou a vida do escritor foi “A arte de enganar o medo”.Mário Amaral – Com sete livros publicados, sendo quatro de suspense, dois de contos e crônicas e um infantil, o escritor sente-se muito satisfeito.
“Hoje há uma maior conscientização das pessoas em relação à leitura. As escolas realizam trabalhos direcionados com os livros, viabilizando cada vez mais a importância deste hábito tão imprescindível”. Em 23 escolas do Rio Grande do Sul, há obras do escritor que citou Viamão como uma das cidades históricas para a formação do Estado. Entre seus livros, “O enigma do olhar”, publicado em 2002, é o que ele mais gosta.
Outras obras: Livro de suspense, lançado também em 2002, “Na hora errada”. O primeiro livro infantil publicado por ele, foi “O garoto boaação”, em 2007. E por último, em abril de 2008, em uma linguagem jovem, lançou o livro “Tem alguém aí”, que fala do orkut e msn.Luís Dill – Formado em Jornalismo pela PUC/RS, o escritor descobriu desde cedo que a melhor maneira de alguém se tornar autor é gostando de ler.
“Aliás, quem gosta de ler pode ser o que quiser. Quem lê afia sua criatividade e sua imaginação”, disse o autor, destacando que adora conhecer os leitores. “Sem eles não existiriam os livros e o mundo seria muito sem graça”. Dill tem sete livros publicados, sendo cinco infanto-juvenil (A caverna dos diamantes, Olhos de rubi, A noite das esmeraldas, Sombras no asfalto e O punhal de jade), um infantil (Arca dos haicais) e um adulto (Lâmina cega).Veralindá Menezes – Seus filhos são sua fonte de inspiração. A autora sempre gostou de criar histórias para contar a seus filhos. Antes de ser escritora, formou-se em Ciências Contábeis pela PUC/RS. Na sua área de formação, atuou como auditora na iniciativa privada e na função pública.
Foi ativista sindical e participou de atividades ligadas aos direitos humanos e ao movimento negro. Com o passar do tempo, a convivência com as atividades artísticas de seus filhos lhe deu a coragem para se aventurar nessa nova profissão. O livro Princesa violeta é inspirado em sua filha mais velha, a atriz Sheron Menezes, a quem sempre chamou de princesa. A autora já escreveu “Lillindda, O velho do saco e A menina que não queria comer.Sérgio Napp – Além de professor e engenheiro, formado pela Ufrgs, Sérgio Napp é escritor e compositor. Também é produtor de shows e de discos com inúmeras premiações como letrista. Gosta de escrever, não importa para qual público.
Napp é também o criador de personagens que aparentemente moram na esquina de nossa rua, mas que na verdade se perderam ou se acharam nas esquinas do mundo. Tem 12 obras publicadas, divididas em infanto-juvenil, poesia, conto, novela e infantil.
Gosta muito de escrever poesia e letras de música que, segundo ele, se aproximam da poesia. O escritor, que pela primeira vez participou da feira do livro de Viamão, se colocou à disposição das escolas para conversar com os alunos.Marô Barbieri – Professora de Português, começou a escrever porque fez um projeto de literatura onde aprendeu a conhecer as crianças. “Me encontrei com esse universo alegre, espontâneo e natural. Depois que publiquei o primeiro livro, procurei escrever a melhor história, o que nunca aconteceu. A cada texto que tu trabalhas, tens a responsabilidade de trabalhar melhor”, explica a escritora, ressaltando que essa insatisfação é que faz o autor escrever cada vez melhor. “Escrever para crianças é uma especificidade.
O grande compromisso do escritor é escrever bem. Não apenas certo, mas bem e bonito”, finaliza. Marô tem 18 livros publicados. Trabalha com ficcional fantástico. Literatura infantil é a área onde mais gosta de transitar, pois, conforme a escritora, tudo pode acontecer. Os livros que ela faz questão de destacar são: Tinoca-minhoca, A princesa que não sabia chorar e O João dos olhos mágicos.
Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Viamão – Educação / Notícias http://www.viamao.rs.gov.br/educacao03.htm
Mais de cinco mil pessoas prestigiam a 6ª Feira Literária 15 | 06 | 2008
Posted by Velha Capital in notícias.add a comment
Mais de cinco mil pessoas prestigiam a 6ª Feira Literária
O sarau com Frank Jorge e Marlon de Almeida, onde foram recitadas diversas composições, tanto de obras consagradas como trabalhos particulares de cada um, encerrou no último sábado, dia 14, a 6ª edição da Feira Literária e Mostra Artística de Viamão. Antes disso, o grupo musical Tambores Falantes abriu sua apresentação com uma homenagem à música popular brasileira.
Após a apresentação, subiu ao palco, junto com o grupo musical, o jornalista da RBS Manoel Soares, que descontraidamente realizou um bate-papo com os presentes e cantou junto com o grupo.
O jornalista brincou, cantou e conversou com o público sobre temas polêmicos, porém fundamentais, tais como: A Cultura e a influência do Hip-Hop como integração entre periferias, preconceito racial, literatura e drogas.
A feira, que este ano teve como tema “Viamão tem história para contar”, foi aberta oficialmente na quarta-feira, dia 11, pelo prefeito Alex Boscaini, que ressaltou a importância da leitura, que deveria fazer parte do cotidiano das pessoas. “Quem lê se torna mais crítico e sabe se posicionar melhor na sociedade. A cultura alimenta o espírito e a Feira Literária coloca à disposição da população o contato visual com os livros, despertando o interesse pela leitura”.
Na ocasião, foi feito o pré-lançamento do livro Raízes, que mostra registros da história do município.
Além disso, foi apresentado oficialmente o patrono da feira, o escritor Luís Augusto Fischer.
“Uma cidade histórica como Viamão reconhecendo o meu trabalho é motivo de orgulho. Quero retribuir esse carinho, e a melhor maneira é possibilitando o acesso da população aos livros”.Feira supera expectativas
Ao final do evento, a secretária de Educação, Indianara Olinski, avaliou a feira como muito produtiva. “Superamos as expectativas, aproximadamente 5 mil pessoas passaram pelo local, tendo sido vendidos mais de 2.100 livros. Pode-se dizer que o balanço total desta edição é mais do que positivo.” Sobre o local da realização do evento, a secretária ressalta: “O local escolhido para este evento mostra a importância da valorização da história, visto que a igreja Matriz é a segunda mais antiga do Estado. Além do mais, o local proporcionou maior viabilidade para as pessoas.”
Durante toda a feira, as 70 escolas municipais prestigiaram o evento, além de escolas estaduais e particulares do município. Foram apresentados seis estandes de livros, um estande da Secretaria de Cultura e Esporte e um da Secretaria de Educação. Além disso, todas as pessoas que passaram pela feira puderam conferir o que a Praça de Alimentação oferecia.
A Feira Literária foi uma realização da Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Educação, e contou com o apoio da Câmara do Livro.
Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Viamão – Educação / Notícias http://www.viamao.rs.gov.br/educacao03.htm
“A emancipação de Viamão” – texto do Almanaque Gaúcho da Zero Hora 11 | 06 | 2008
Posted by Velha Capital in Viamão, textos.add a comment
O texto do Túnel do Tempo (página 54) de hoje está diretamente relacionado a Viamão. Para quem não o acompanha, o Túnel do Tempo é uma seção da página Almanaque Gaúcho da Zero Hora (sempre na antepenúltima página do jornal).
Segue o texto:
A emancipação de Viamão
Com o nome de Estância Grande, a atual cidade de Viamão começou a ser povoada em 1740. É uma das povoações mais antigas do Rio Grande do Sul. Era um núcleo habitado no meio do caminho entre Laguna e a Colônia do Sacramento, uma posição lusitana nas solidões sulinas num momento em que os reinos de Espanha e Portugal disputavam o território da banda oriental do Uruguai. Com a invasão espanhola de Rio Grande, em 1763, a já então freguesia de Viamão recebeu a sede do governo da capitania. Permaneceu nessa condição até 1773, quando a administração passou definitivamente para Porto Alegre. Por ocasião da Revolução Farroupilha (1835-1845), a cidade teve seu nome mudado para Setembrina (em homenagem à data em que o movimento foi deflagrado em 20 de setembro de 1835). Depois da guerra, a denominação histórica foi restabelecida. Além de Estância Grande, outros nomes foram adotados: Capela Grande de Viamão e Nossa Senhora da Conceição de Viamão. Os primeiros povoadores eram lagunenses, paulistas e portugueses, acompanhados de escravos.
Antes de ser emancipada pela Lei nº 1.247, de 11 de junho de 1880, a mesma que emancipou Gravataí, a cidade de Viamão integrava o município de Porto Alegre.
Lançada a VI Feira Literária e Mostra Artística de Viamão 31 | 05 | 2008
Posted by Velha Capital in notícias.add a comment
A VI Feira Literária e Mostra Artística de Viamão foi lançada na noite da última quarta-feira, dia 23, no Centro Profissional de Formação Walter Graf. Na ocasião, a Orquestra de Viamão homenageou o patrono da feira deste ano, o escritor Luís Augusto Fischer e também foi apresentado o tema da feira “Viamão tem história para contar”, além da mostra de um vídeo sobre as feiras anteriores. O evento foi uma parceria entre a Secretaria Municipal de Educação, Fundação Educando, Câmara do Livro, Floricultura Belli Giardini e Artesanato Fundo de Quintal.
O vice-prefeito, Sergio Kumpfer, ressaltou que a cultura de um povo é constituída através de bons livros. “Saber aproveitar a leitura é um bem valioso. É um hábito que é cultivado diariamente”. A secretária municipal de Educação, Indianara Olinski, salientou que a data para o lançamento da feira não poderia ser melhor. “Hoje é o dia Internacional do Livro. A cidade que não projeta feiras de livros e eventos que incentivem a leitura deve rever os seus conceitos”. Disse ainda, que as escolas de Viamão têm se motivado para organizar pequenas mostras de leitura dentro das próprias escolas.
O patrono da feira declarou sentir-se feliz e emocionado com a homenagem. “Uma cidade histórica como Viamão reconhecendo o meu trabalho é motivo de orgulho. Quero retribuir esse carinho, e a melhor maneira é possibilitando o acesso da população aos livros”. Dentre os livros escritos, o que ele mais gosta é “O dicionário de porto-alegrês”.
Segundo a diretora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Maria Eliza Canabarro da Silva, existe uma comissão que está organizando e discutindo a VI feira, que acontecerá a partir do dia 11 de junho. “As secretarias municipais de Cultura, Educação, Gabinete e a Associação Literária de Viamão (ALVI) estão ajudando na divulgação do evento, além de buscar adesões e patrocínios”. Acrescentou ainda, que através da leitura, o resgate e os valores da história são multiplicados na sociedade.
Saiba mais:
A VI Feira Literária e Mostra Artística de Viamão acontecerá de 11 a 14 de junho, na Praça Júlio de Castilhos, no Centro.
Até o momento, sete bancas estarão expostas na feira: Sociedade Espírita, Saraiva Editora, Livraria Cabeças Pensantes, Livraria Mercado Aberto, Distribuidoras de livros CRL e Fênix.
A escritora homenageada é Jane Peixoto. Ela tem duas obras escritas: Nuas na rua (1991) e Vestidas de amor (2003).
O patrono da feira, Luís Augusto Fischer tem 14 livros escritos individualmente. A obra de ficção “Quatro Negros” recebeu a premiação da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Ele é professor de Literatura Brasileira da Ufrgs.
Todos os anos, aproximadamente 5 mil pessoas visitam a feira literária.
Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Viamão – Educação / Notícias http://www.viamao.rs.gov.br/educacao03.htm
Viamão só tem um? 31 | 05 | 2008
Posted by Velha Capital in Viamão.add a comment
Uma “lenda urbana” viamonense diz que nada sob o sol — além da Velha Capital, claro — tem o nome de Viamão.
Eu também acreditei nisso, até bem pouco tempo atrás…
Pesquisando materiais para postagem no blog acabei encontrando referências a um Rio Viamão no norte de Minas Gerais. E lá se foi a doce ilusão!
Rio Viamão (Minas Gerais) – Cachoeira Maria Rosa
Viamão no programa “Nos Caminhos do Rio Grande” da Rádio Guaíba AM 21 | 05 | 2008
Posted by Velha Capital in rádio.add a comment
Em 7 de julho de 2007 foi Viamão o tema do programa “Nos Caminhos do Rio Grande“, apresentado aos sábados (7h) na Rádio Guaíba AM (720 kHz).
Segue a ficha do programa:
07/07/2007 – Viamão
Apresentação: Armando Burd
Produção: Antônio Max
Participantes:
- Prefeito Alex Boscaini
- Historiadora Véra Barroso
- Historiadora Ana Paula Rocha
- Secretário do Desenvolvimento Econômico, Ataídes Nunes
- Secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Oliveira
- Secretário de Cultura, Hélio Ortiz
- Cantor e violinista Lucas Lima
- Ex-jogador do Grêmio e morador de Viamão, Paulo Roberto Costa
Os dois blocos do programa, versão áudio (o ideal é fazer inicialmente o download dos dois arquivos para ouvi-los posteriormente):
Eis a transcrição da parte histórica, sendo entrevistada a Profª Drª Véra Barroso:
Armando Burd – Vamos hoje a Viamão, município localizado a 10 km de Porto Alegre e criado em 1880. Mergulhemos no passado de Viamão! Quem nos conduz no passeio pelo tempo é a Historiadora Véra Barroso. Nos leve ao ponto mais remoto da memória do município.
Véra Barroso – A História de Viamão nasce com a História do Rio Grande do Sul. O processo de conquista portuguesa sobre este território passa necessariamente pelos Campos de Viamão.
Armando Burd – Nos situe no tempo…
Véra Barroso – Por volta mais ou menos de 1740, mais precisamente 1741, aqui foi instalada a primeira capela, chamada a Capela Grande de Viamão, onde teríamos a partir desta data um padre que iria batizar, casar, enfim, sepultar as pessoas que morassem nas redondezas. Por que até então era de Laguna que vinha o sacerdote para fazer esta tarefa religiosa. E é exatamente em torno da Capela Grande de Viamão, que é hoje tombada pelo patrimônio histórico e artístico nacional, é em torno dela que vamos ter a ocupação inicial dos Campos de Viamão.
Armando Burd – Prosseguindo…
Véra Barroso – Esse território é também passagem das tropas de mulas que se deslocavam do norte da Argentina, passando por Uruguai, litoral do Rio Grande do Sul, enveredando por esta região, subiam os Campos de Cima da Serra, passavam por Santa Catarina e se deslocavam até Sorocaba, onde os mineiros iriam comprar as mulas como meio de transporte eficaz. E é esta comunidade que crescentemente vai avançando e que no século ainda XVIII, ela terá entre 1763 até 73 a condição de sede, enquanto capital do Rio Grande do Sul.
Armando Burd – O que acrescenta, Historiadora Véra Barroso?
Véra Barroso – Desde 1737 Rio Grande era exatamente o ponto inicial da ocupação oficial portuguesa. Com o avanço espanhol e de Cevallos, um comandante com tropas, avança sobre Rio Grande, sai o governo então da Capitania, se deslocando para Viamão. E é exatamente aqui que esta capital do Rio Grande do Sul vai desempenhar um papel superimportante, sediando o governo português em conquista sobre este território. Então, a partir de 73 ela perde esta condição enquando sede de capital do Rio Grande do Sul, e ela vai crescendo, vai se expandindo, e somente no final do século XIX, em 1880, é que Viamão ganha a sua condição de município, emancipando-se de Porto Alegre. E a esta altura era uma grande cidade, havia um grande município, vamos dizer assim, enquanto território habitado, e Viamão tem desempenhado desde então, até um momento, até hoje, um papel significativo como acolhedor da população migrante que se desloca de vários municípios do Estado, hoje 496, uma delas é Viamão, e ela acolhe este Rio Grande do Sul, através de muitos que saem de seus lugares em busca de melhores condições para viver, exatamente se coloca ao lado de Porto Alegre nesta perspectiva de trabalho.
Paisagem proibida, história desconhecida: Praia do Sítio – imagens e histórias 18 | 05 | 2008
Posted by Velha Capital in Itapuã, dicas de sites.add a comment
Mesmo nunca tendo navegado eu freqüentemente acesso o site Popa (http://www.popa.com.br/), que vem sendo mantido desde maio de 2002 pelo sempre atencioso Danilo Chagas Ribeiro. Ao lado de questões específicas da navegação sempre há belas fotos dos locais visitados e textos relacionados à história destes mesmos lugares.
Darei um exemplo: o texto abaixo apresenta-nos a Praia do Sítio (situada em Itapuã), cuja história é desconhecida mesmo para muitos viamonenses:
Depois de ler o texto tenho certeza de que colocarão o Popa no seus favoritos!
Athos Damasceno fala sobre a Igreja de Nossa Senhora da Conceição 17 | 05 | 2008
Posted by Velha Capital in Igreja Nossa Senhora da Conceição, textos.add a comment
Do livro Artes plásticas no Rio Grande do Sul de Athos Damasceno (1902-1975) transcrevemos o trecho que se refere à Igreja de Nossa Senhora da Conceição:
Por sua sobriedade, solidez e porte, a igreja de Nossa Senhora da Conceição, de Viamão, é das mais referidas e gabadas do Rio Grande do Sul colonial.
Projetou-a o Brig.ro José Custódio de Sá e Faria, à época no governo do Continente de São Pedro, a que prestaria serviços relevantes no campo da engenharia civil, militar e religiosa. Ao então coronel de engenheiros, cujas atividades entre nós emparelham com as de Alpoim, Róscio e outros e que em 1870 [sic – leia-se 1770] viria a projetar e administrar, no Rio de Janeiro, as obras do templo da Santa Cruz dos Militares, deve o Rio Grande, com efeito, vários trabalhos importantes, destacando-se, a par de levantamentos topográficos, memórias, fortificações, etc., ainda o traçado das igrejas de Triunfo e Taquari.
Da execução do risco da Matriz de Viamão encarregou-se o construtor e mestre de carpintaria Francisco da Costa Senne que, após contrato feito com o Vig. Baltazar dos Reis, o governador da Capitania e o provedor Bento Manuel da Rocha, segundo consta da fl. 5 do Livro I, da Irmandade do Santíssimo Sacramento, existente nos arquivos da paróquia, deu início às obras em 1766, concluindo-as em 1769.
Tratando dessa igreja em seu livro Vida de Rafael Pinto Bandeira e carregando um tanto nas cores, assim a descreve Alcides Cruz: “O grandioso templo, de duas torres, tem a frente voltada para o noroeste. O interior ricamente artesoado de obras de talha, ricos lavores e viçosos dourados guarda eloqüente expressão de seu antigo esplendor e da grandeza do povo metropolitano que até no deserto hemisférico austral veio plantar esse derradeiro padrão de sua fé. Ao fundo, em majestoso entrelaçamento de entalhaduras, ergue-se o suntuoso altar-mor, onde N. Sra. da Conceição ocupa o centro, ladeando-a pela esquerda N. Sra. do Parto e pela direita Santa Rosa. Seis altares suntuosos, dispostos a três por lado, decoram com imponência as paredes internas desse templo planejado por mão de militar, o que o frontispício e todo o conjunto exterior vagamente confirmam. O interior da igreja revela o gosto fantasioso do artista de talento que o decorou — o exterior atesta a severidade e o espírito prático do soldado adestrado em mais de uma edificação de obras militares e sacras”. Continuando em sua descrição, acrescenta: “Os altares alojam as seguintes imagens: N. Sra. das Dores, ladeada de São João Batista e São João Evangelista. Aos pés da Senhora, dentro do altar, fica São Caetano, que é obra de arte sem par em toda a estatuária hagiológica do Rio Grande; ele traz sobre os ombros uma estola primorosamente colorida e empunha um crucifixo de prata de requintadíssimo lavor. No segundo altar está N. Sra. do Rosário, ao centro, e, como guardando-a, São Francisco de Paula e São Benedito. O terceiro altar é de São Miguel e nele se anicham São Francisco das Chagas e Santo António. Segue-se, ao lado oposto, o altar do Espírito Santo, no qual se admiram São José e São Manoel, este mui deturpado pelo tempo: — tem o escudo no chão, à direita a armadura e, à esquerda, também no chão, o capacete. O outro altar é de Santa Ana, que tem de um lado Santo Izidro e do outro São Joaquim. Finalmente o último é o de Santa Luzia, ocupado também por Santa Bárbara e Santa Quitéria. Na sacristia pode venerar-se uma Senhora da Soledade, pintura a óleo, sobre uma delgada elipse de cobre em velha moldura dourada. Gasta dos anos, abandonada a um canto, incompreendida no seu imenso valor artístico, atrai a curiosidade do visitante, fazendo-o conjeturar sobre qual a idade dessa misteriosa obra-prima do pincel dos séculos passados”. Concluindo, diz: “Todo esse templo encerra valioso tesouro de prataria, pedrarias e demais produtos da ourivesaria antiga, consoante o costume colonial de século e meio atrás, quando havia mais gosto e a crença reconfortava as gerações varonis de antanho. Até os sinos têm, no bronze sonoro dos bordos, delicadíssimas silvas e desenhos litúrgicos traçados por mão artística de fundidor inteligente. Um, o que fica mais ao poente, mostra as seguintes inscrições: Ecce Crucem Domini — Fugite Partes Adversae. Em baixo: JHS. Maria José, e num canto: Joannes Ferreyra Lima. Me Fecit Brachare 1789“.
Dizem que, por ocasião da Revolução Farroupilha, em 1835, a igreja foi ocupada, depredada e saqueada pelos rebeldes que, ao se retirarem dela, deixaram afixado em sua porta principal um bilhete com estas palavras: Os pobres não têm, os ricos não dão, os santos pagarão.
Não há e parece que jamais houve qualquer prova histórica desse saque bem como das depredações praticadas ali pelos revolucionários, admitindo-se, ao contrário, que o recado herético tenha sido forjado posteriormente para encobrir o desvio e desaparecimento de valiosas peças pertencentes à igreja… O que se sabe com certeza é que, àquela época, já o templo se achava bastante danificado e necessitado de reparos imediatos — reparos que só viriam a ser efetuados em 1854, quando na Presidência da Província se encontrava João Luiz Vieira Cansansão de Sinimbu, de cujo relatório, então apresentado à Assembléia Provincial, consta este tópico: “A Matriz de Viamão, uma das melhores da Província, e que foi construída à custa do povo, e principalmente de seu Pároco, o benemérito sacerdote João Diniz Álvares de Lima, ficaria brevemente arruinada, se não fosse socorrida a tempo. Depois de examinada e orçado o reparo de que carecia, confiou a Presidência esse trabalho ao cidadão Francisco José Pacheco Filho, de acordo com o respectivo pároco, o qual com o zelo que lhe é próprio deu todas as providências para isso, e mediante a despesa de 2:198$518 réis, ficou o telhado da igreja completo e rebocado, bem como foram rebocados o fundo do frontal, e do fundo externo do corpo da mesma igreja até os telhados da Capela-mor, e sacristia. Tendo eu, porém, tido ocasião de visitar a obra e vendo ser urgente proceder também a algum reparo nas torres e escadas, assim o ordenei mandando proceder orçamento das despesas as quais são calculadas em 1:520$000 réis. Existindo parte do material empregado no primeiro conserto, e em depósito, provenientes de esmolas particulares, 390$000 réis, e resto da consignação votada por essa Assembléia 301$482 réis, autorizei ao mesmo honrado Cidadão que aplicasse essas quantias a essa nova obra, ficando a meu cargo solicitar de vós a competente autorização, e meios de pagar o pouco que faltará para sua conclusão”.
Dissemos no início desta notícia que a Igreja de Viamão é uma das mais referidas e gabadas do Rio Grande do Sul colonial. Sempre foi. Dos muitos viajantes, que no século passado nos visitaram, nenhum deixou de aludir a ela com palavras de entusiasmo. Nicolau Dreys por exemplo, em 1849, consigna em seu livro — Notícia Descritiva da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul — que seu frontispício em razão do tempo e do local, é um notável esforço da arquitetura religiosa e que pode desafiar, em comparação, as outras igrejas da vizinhança, sem se excetuarem mesmo as da Capital. E antes dele, ou seja, em 1820, já Saint-Hilaire registrará em seu famoso Diário: “O arraial compõe-se principalmente de duas praças contíguas e de formato irregular, em uma das quais se ergue a Igreja. Depois de São Paulo ainda não tinha visto nenhuma igreja comparável a essa, possuindo duas torres, bem conservada, extremamente asseada, clara e ornamentada com gosto. Pelas igrejas do Brasil pode-se aferir do quanto seria o brasileiro capaz, se sua instrução fosse mais cuidada e se tivesse alguns bons modelos para orientar-se. Quem conhecer apenas as igrejas das aldeias da França, achará que as artes em nosso País estão ainda em sua infância, dado o mau gosto das obras, o estilo bárbaro dos ornatos, a violação das regras da arte e tantos outros defeitos. Entretanto, elas não são trabalhadas por artífices que desconheçam obras-primas da arquitetura e da escultura… Mas eles não procuram imitá-las, porque as olham sem vê-las, sem poder compreender suas belezas. Não se pode concluir daí que os brasileiros possuem um maior e mais natural sentimento das artes, e que, se conquistarem cultura, ela lhes custará menor trabalho e menos esforço?”.
Referência bibliográfica:
DAMASCENO, Athos. Artes plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Globo, 1971. (Província, 23). p.26-29.
Sobre o blog Velha Capital – História e Cultura de Viamão 17 | 05 | 2008
Posted by Velha Capital in sobre o blog.add a comment
Caros amigos,
É singela a proposta do blog Velha Capital: ser uma “colcha de retalhos” de artigos, dicas de páginas, promoção do trabalho de pesquisadores, disponibilização de textos — em síntese: tudo o que se relaciona à História e à Cultura de Viamão.
Para ter êxito este trabalho não pode ser feito por apenas uma pessoa. A ajuda de todos é imprescindível, são bem-vindas propostas de textos, de artigos, comentários, críticas, sugestões… O e-mail para contato é velhacapital@terra.com.br.
Mãos à obra!
Vagner Eifler
Responsável pelo blog Velha Capital



